Coluna Zadir Marques Porto
O jornalismo, como tantas outras atividades existentes, registrou no início, por diferentes razões, a predominância masculina. Em Feira de Santana, cujo primeiro jornal data do final do Século XIX, não foi diferente. Em 1972, portanto há 52 anos, a jornalista Socorro Pitombo, na Sucursal do Jornal da Bahia, quebrou esse paradigma e abriu caminho, de forma alvissareira, para a presença feminina cada vez maior nesse meio de comunicação.
O jornalismo em Feira de Santana, desde o surgimento dos primeiros periódicos no final do Século XIX, o pioneiro teria sido O Feirense, em 1862, foi praticado quase que exclusivamente por homens até porque, havia sempre o idealismo em jogo e em maior proporção o jogo político. A presença feminina nas páginas impressas tipograficamente era rara, salvo em espaços dedicados a poemas, sociais e teatro, e isso de forma ocasional. O jornalismo era concentrado em informações urbanas e fatos de maior relevância fora do município, geralmente de interesse do órgão informativo, por razões óbvias à sua razão existencial.
Pode-se dizer que o jornalismo pautado com similaridade ao modelo atual, que mobiliza repórteres especializados em constante correria, deslocamentos, estudos, investigações, análises e muito mais, só começou a ser praticado na Cidade Princesa na década de 1960, século passado, com o surgimento das sucursais de jornais da capital em Feira de Santana. Mas sem mudança na operacionalidade em termos dos recursos humanos. O trabalho então já com intensa atividade - cobertura policial, acompanhando cada passo da Polícia, os jogos de futebol, o movimento da economia, os eventos da sociedade, os festejos –continuou sendo exercido por homens sem que houvesse qualquer conotação machista, como hoje é comum se atribuir a quase tudo.
Esse paradigma foi quebrado no início da década de 1970 com o ingresso da feirense Socorro Pitombo na sucursal do Jornal da Bahia localizada em um imóvel pertencente à família Falcão, na Rua Conselheiro Franco, que também sediava o escritório do doutor Wilson Falcão, então deputado federal. A Sucursal do JBª era dirigida pelos irmãos Ricardo Falcão (Cacau) e a professora Adnil Falcão que na mesma época foi uma eficiente Secretária de Administração e Chefe de Gabinete de seu pai ,o prefeito Newton da Costa Falcão (1972/1973).
Em 1972 na Sucursal JBª ocupando o lugar de Zadir M. Porto, que foi para a Tribuna da Bahia, Socorro Pitombo recém-formada em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), imprimiu seus conhecimentos acadêmicos à indispensável prática, logo adquirida, conceituando-se profissionalmente. Sobretudo era educada e afável, generalizando simpatia onde estivesse. Depois do JBª ela ocupou assessorias, inclusive na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). A partir dos anos de 1980 a presença feminina no jornalismo ganhou proporção com o surgimento de excelentes profissionais na parte final da década de 1970 como Madalena de Jesus, até hoje atuado com grande destaque, Maura Sergia, Neire Matos, Isa Lee, Conceição Lobo, Elis Regina e Aparecida Machado (estas três últimas de saudosa lembrança). Dona de texto rico, mas compatível com a realidade, Socorro Pitombo, mesmo aposentada, manteve-se em atividade através de um informativo online. Faleceu aos 78 anos de idade em 9 de janeiro de 2022. O caminho aberto por ela no jornalismo feirense frutificou e logo a presença feminina tornou-se sólida e duradoura.
Zadir Marques Porto é jornalista e radialista.