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sábado, 8 de março de 2025

Ao garoto Luighi resta lutar e ser forte

Coluna Alê Alves

Estamos cansados de indignação seletiva, de manifestações de apoio em forma de nota de repúdio, hashtags, placas ou vídeos para engajar. Nada disso evita nossa dor ou resolve os crimes. Nada ser feito para coibir esse crime em campo mostra que estamos (sempre!) expostos.

A luta contra o racismo é real, precisa ser real. Na era das fakes, não parecer ser racista é melhor do que realmente não ser. Expor solidariedade na internet e não ter nenhuma atitude na vida é hipocrisia. E vivemos em uma sociedade hipócrita.

Nota de repúdio não é medida protetiva contra racista. A impunidade é cúmplice dos racistas, mesmo o esporte não se afastando dos direitos humanos, pelo menos na essência, e eles se sentem confortáveis para agir enquanto não são criminalizados e punidos.

É claro que combater o racismo não é simples e nem há fórmula mágica, mas resposta efetiva e direta contra racista provém de ações. Providência em nível institucional é mais do que obrigatório, de CBF a Fifa, de Palmeiras e Conmebol.

Conivência e negligência andam lado a lado nos recorrentes casos de racismo no futebol. A impressão que dá, pondo mais uma vez o dedo na ferida e sendo desconfortável com você, amigo leitor, é que o único foco do esporte mais popular do mundo, atualmente, é o dinheiro.

Medida enérgica? Punição pesada? Quais temos? As placas de “Basta de Racismo” da CONMEBOL não nos livram de insultos. Notas oficiais de clubes, entidades e federações não vão resolver nenhum crime. Nada disso evita nossa dor.

E como podemos confiar em qualquer medida posterior a um novo caso de racismo, sendo que o futuro já está escrito com letras garrafais de um novo crime racista? A mudança urge sair da teoria e virar prática. O racismo enriquece, é lucrativo e combatê-lo na essência exige o rompimento de algumas barreiras.

Só quem tem a carne cortada com a faca do racismo é capaz de sentir a dor profunda do preconceito racial. Um garoto de 18 anos se viu obrigado a carregar todas as atribuições que não deveriam ser dele por simplesmente ser negro.

Até quando?

Alê Alves, 25 anos, baiano da roça e estudante de jornalismo, repórter de campo da  Rádio Sociedade News FM, reforçando a equipe "Os Diplomatas do Rádio". Redator do site Diplomatas News, apresentador do programa de pré-jogo aos domingos "Esperando a Bola na Rede". Estudioso da bola, aficionado por futebol americano, Fórmula 1, basquete e outros mais. Amante do futebol alternativo,  e de rock, cinema e música pré anos 90.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

O que cada time precisa fazer na última rodada do Campeonato Baiano?

Coluna Alê Alves

O Campeonato Baiano já tem três clubes com vagas garantidas nas semifinais (Vitória, Jacuipense e Bahia), mas não a ordem de classificação, importante para quem almeja decidir os jogos de mata-mata em casa. Além disso, Atlético de Alagoinhas e Juazeirense brigam pelo último lugar no G-4.

Na parte de baixo da classificação, Colo-Colo e Jacobina se enfrentariam, mas como já estão matematicamente rebaixados a FBF acatou um pedido dos clubes e cancelou a partida.

O único jogo da rodada sem impacto na classificação para as semifinais e rebaixamento é o confronto entre Porto e Barcelona de Ilhéus. Mesmo assim, as equipes brigam por vaga na Série D, assim como o Jequié.

Vitória:

Líder do Campeonato Baiano com 18 pontos, o Vitória garante o primeiro lugar em caso de triunfo sobre o Atlético de Alagoinhas. Se empatar a partida, o Leão torce para o Jacuipense não vencer e tirar diferença de quatro gols de saldo (13 x 9).

Se perder, o Rubro-Negro torce para o Jacuipense não vencer o seu jogo, assim como o Bahia, que precisaria também tirar uma diferença de três gols de saldo (13 x 10)

Jacuipense:

Segundo colocado com 16 pontos, o Jacuipense precisa vencer seu jogo e torcer por derrota do Vitória para assumir a liderança da competição. Se o Rubro-Negro empatar, o time de Riachão do Jacuípe tem de vencer e tirar uma vantagem de quatro gols de saldo

Bahia:

Na terceira posição com 15 pontos, o Bahia precisa vencer e torcer para o Vitória perder o seu jogo e que o Jacuipense no máximo empate diante do Jequié. Além disso, o Tricolor tem de tirar três gols de vantagem do Rubro-Negro.

Atlético de Alagoinhas:

Quarto colocado com 13 pontos, o Atlético de Alagoinhas só precisa empatar com o Vitória para se garantir na semifinal. Em caso de derrota, o Carcará torce para o Juazeirense não vencer o Bahia, uma vez que o Cancão de Fogo chegaria a 13 pontos e superaria o time de Alagoinhas no número de vitórias (4 x 3).

Juazeirense: 

Quinto colocado com 10 pontos, o Juazeirense precisa fazer a sua parte. Além de vencer o Tricolor, o Cancão de Fogo conta com uma derrota do Atlético de Alagoinhas para avançar de fase.

Os demais:

Sem chances de classificação, três equipes brigam para alcançar o quinto lugar e garantir vaga na Série D, uma vez que os três melhores colocados do Campeonato Baiano, à exceção de Vitória e Bahia, que estão na Série A, terão vaga assegurada na quarta divisão.

Neste caso, Jequié, Barcelona de Ilhéus e Porto olham para o Juazeirense, quinto colocado com dez pontos. Ao Jequié, sexto colocado com nove pontos, será preciso vencer o Jacuipense e torcer por tropeço do Cancão de Fogo.


Alê Alves, 25 anos, baiano da roça e estudante de jornalismo, repórter de campo da  Rádio Sociedade News FM, reforçando a equipe "Os Diplomatas do Rádio". Redator do site Diplomatas News, apresentador do programa de pré-jogo aos domingos "Esperando a Bola na Rede". Estudioso da bola, aficionado por futebol americano, Fórmula 1, basquete e outros mais. Amante do futebol alternativo,  e de rock, cinema e música pré anos 90.

sábado, 1 de fevereiro de 2025

Ba-Vi 500: Festa na Arena Fonte Nova!

Coluna Alê Alves

O Ba-Vi  de número 500, que será disputado neste sábado (1), às 16h na Arena Fonte Nova, já é recheado de expectativas por todo simbolismo e história que carrega, mas dentro de campo também vale muito. Rogério Ceni, do Bahia, e Thiago Carpini, do Vitória, estão invictos em 2025 e terão pela frente o primeiro teste de fogo da temporada. De quebra, a partida vale a liderança do Campeonato Baiano.

O Bahia até foi derrotado em um dos três jogos inicias do Campeonato Baiano, mas foi representado por um time sub-20 mesclado com peças pontuais da equipe profissional e comandado por Leonardo Galbes. Com Rogério Ceni, o elenco principal do Tricolor tem três jogos, com três vitórias e 100% de aproveitamento.

Bahia 4 x 0 Sampaio Corrêa | 23 de janeiro | 1ª rodada da Copa do Nordeste

Bahia 2 x 0 Porto | 26 de janeiro | 4ª rodada do Campeonato Baiano

Jequié 1 x 3 Bahia | 29 de janeiro | 5ª rodada do Campeonato Baiano

Já Thiago Carpini, embora não tenha contado com seu elenco principal nos primeiros jogos do ano, comandou o Vitória em mais compromissos. O Rubro-Negro está invícto com um retrospecto de três vitórias e três empates, o que significa desempenho de 67%.

Vitória 0 x 0 Barcelona de Ilhéus | 11 de janeiro | 1ª rodada do Campeonato Baiano

Vitória 4 x 1 Juazeirense | 15 de janeiro | 2ª rodada do Campeonato Baiano

Vitória 1 x 1 Jacuipense | 19 de janeiro | 3ª rodada do Campeonato Baiano

CRB 2 x 2 Vitória | 22 de janeiro | 1ª rodada da Copa do Nordeste

Colo-Colo 1 x 4 Vitória | 25 de janeiro | 4ª rodada do Campeonato Baiano

Vitória 4 x 0 Jacobina | 29 de janeiro | 5ª rodada do Campeonato Baiano

Rogério Ceni e Thiago Carpini vão se enfrentar pela quarta vez. Eles foram adversários duas vezes em diferentes edições do Campeonato Paulista, com Ceni no comando do São Paulo e Carpini à frente de equipes do interior. Também se encontraram no último Ba-Vi da temporada passada.

Ceni está invícto contra Carpini, mas foi eliminado pelo agora treinador do Vitória após um empate sem gols nas quartas de final do Paulistão de 2023.

Rogério Ceni x Thiago Carpini:

São Paulo 0 (5) x (6) 0 Água Santa – quartas de final do Paulistão 2023

São Paulo 1 x 0 Santo André – fase de grupos do Paulistão 2022

Bahia 2 x 0 Vitória – 22ª rodada do Brasileirão 2024

O Ba-Vi 500 terá torcida única tricolor. Mais de 45 mil torcedores já estão garantidos na Arena neste sábado, e isso pode dar vantagem a Rogério Ceni. Mas na prática, só saberemos quando a bola rolar.


Alê Alves, 25 anos, baiano da roça e estudante de jornalismo, repórter de campo da  Rádio Sociedade News FM, reforçando a equipe "Os Diplomatas do Rádio". Redator do site Diplomatas News, apresentador do programa de pré-jogo aos domingos "Esperando a Bola na Rede". Estudioso da bola, aficionado por futebol americano, Fórmula 1, basquete e outros mais. Amante do futebol alternativo,  e de rock, cinema e música pré anos 90.

domingo, 5 de janeiro de 2025

Vai começar o Baianão!

Coluna Alê Alves

O Campeonato Baiano de 2025 será disputado de 11 de janeiro a 26 de março. Serão dez participantes: Atlético de Alagoinhas, Bahia, Barcelona de Ilhéus, Colo-Colo, Jacobina, Jacuipense, Jequié, Juazeirense, Porto e Vitória.

A primeira fase contará com nove rodadas, todos contra todos em turno único, e dez equipes disputam as quatro primeiras posições para chegar às semifinais. Já as duas últimas colocadas serão rebaixadas para a segunda divisão. As semifinais e as finais acontecem em dois confrontos, com ida e volta para cada jogo.

A CBF antecipou em seu calendário o início dos Estaduais em 2025 para 12 de janeiro, para conseguir começar antes a Série A do Brasileiro, que vai ter que parar entre junho e julho, por quatro semanas, por causa do Super Mundial de Clubes. O torneio da Fifa terá quatro times do Brasil: Botafogo, Palmeiras, Flamengo e Fluminense. Sendo assim, os times já estão preparados.

O Bahia vai disputar o certame com seu time sub-20, uma vez que a equipe principal faz sua pré-temporada na Espanha, visando a Copa do Nordeste e, principalmente, Libertadores. Já o Vitória deve utilizar sua força máxima, mas também aproveitar forças da base. 


Veja a tabela do Campeonato Baiano:


1ª rodada (11 e 12/1)



Atlético de Alagoinhas x Colo-Colo

Porto x Jacobina

Jacuipense x Bahia

Jequié x Juazeirense

Vitória x Barcelona de Ilhéus


2ª rodada (14 e 15/1)


Colo-Colo x Porto

Barcelona de Ilhéus x Jequié

Bahia x Atlético de Alagoinhas

Juazeirense x Vitória

Jacobina x Jacuipense


3ª rodada (18 e 19/1)


Juazeirense x Barcelona de Ilhéus

Jacobina x Bahia

Porto x Atlético de Alagoinhas

Jequié x Colo-Colo

Vitória x Jacuipense


4ª rodada


Atlético de Alagoinhas x Jequié

Colo-Colo x Vitória

Barcelona de Ilhéus x Jacobina

Bahia x Porto

Jacuipense x Juazeirense


5ª rodada


Barcelona de Ilhéus x Atlético de Alagoinhas

Juazeirense x Porto

Jacuipense x Colo-Colo

Jequié x Bahia

Vitória x Jacobina


6ª rodada


Atlético de Alagoinhas x Jacuipense

Colo-Colo x Barcelona de Ilhéus

Bahia x Vitória

Jacobina x Juazeirense

Porto x Jequié


7ª rodada


Barcelona de Ilhéus x Jacuipense

Bahia x Colo-Colo

Juazeirense x Atlético de Alagoinhas

Jequié x Jacobina

Vitória x Porto


8ª rodada


Barcelona de Ilhéus x Bahia

Juazeirense x Colo-Colo

Jacobina x Atlético de Alagoinhas

Jacuipense x Porto

Vitória x Jequié


9ª rodada


Atlético de Alagoinhas x Vitória

Colo-Colo x Jacobina

Bahia x Juazeirense

Porto x Barcelona de Ilhéus

Jequié x Jacuipense


Alê Alves, 25 anos, baiano da roça e estudante de jornalismo, repórter de campo da  Rádio Sociedade News FM, reforçando a equipe "Os Diplomatas do Rádio". Redator do site Diplomatas News, apresentador do programa de pré-jogo aos domingos "Esperando a Bola na Rede". Estudioso da bola, aficionado por futebol americano, Fórmula 1, basquete e outros mais. Amante do futebol alternativo,  e de rock, cinema e música pré anos 90.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

Mais do que uma Taça, é pela carga histórica: É tempo de Botafogo!

Coluna Alê Alves

Passado o êxtase, passado o frisson e toda euforia que se fez necessária (e até obrigatória), temos que lembrar quão importante é mostrar para essa estrela que ela não é - nem nunca foi solitária.

Décadas de administrações danosas, sequências de erros de gestão financeira e esportiva que sangraram um clube que, de alicerce gigante para a construção da cultura vitoriosa do futebol nacional, tornou-se abatido e adormecido, respirando por aparelhos durante muitos anos. E não havia outra torcida de peso em terras tupiniquins tão machucada, flagelada e desconfiada que a do Botafogo. A insegurança e o peso dos fracassos e a quantidade de 'quases' transformaram o botafoguense em uma persona de resistência e medo contidos; quase como um veterano de guerra. 

Ninguém mais merecia conquistar tanto do que o torcedor que viu, há um ano, a maior derrocada em um campeonato de pontos da história do jogo, ser protagonizada justamente pelo seu clube do peito. Mas talvez fosse esta a provação maior. Para mostrar quão forte foram aqueles que resistiram e permaneceram até causar justa a História que foi escrita. 

Se Euclides da Cunha afirmou que o sertanejo é antes de tudo um forte, podemos afirmar que o botafoguense é antes de tudo um corajoso.

É difícil dimensionar, por enquanto, o tamanho de tudo isso para quem nunca o teve. É como ter acesso à festas de classe alta no qual nunca se teve a ficha de VIP, e agora se tem. Agora há uma mesa em que o Botafogo volta a se sentar para ser respeitado  como a tradição e história de construção dessa instituição pede. E como dizem os otimistas, 'e o pior Botafogo dos próximos anos'.

Não há mais azar resguardado, não há mais mística ou maldição. Não há mais falência decretada, torcida amargurada, sapos enterrados, 33 reais guardados no caixa e amadorismo funcional. Agora há um Botafogo de Futebol e Regatas e sua torcida que se mostra gigante. Em uníssono, eles se reergueram.

E este que vos escreve também.


Alê Alves, 25 anos, baiano da roça e estudante de jornalismo, repórter de campo da  Rádio Sociedade News FM, reforçando a equipe "Os Diplomatas do Rádio". Redator do site Diplomatas News, apresentador do programa de pré-jogo aos domingos "Esperando a Bola na Rede". Estudioso da bola, aficionado por futebol americano, Fórmula 1, basquete e outros mais. Amante do futebol alternativo,  e de rock, cinema e música pré anos 90.

quinta-feira, 21 de novembro de 2024

Negra é a mão que constrói as pontes, estradas e prédios desta nação

Coluna Alê Alves

Negra é a mão que constrói as pontes, estradas e prédios desta nação. E de negras, tornam-se vermelhas pelo sangue, pelos calor, pelo suor e esforço. 

E tem sido assim há séculos. A base pilar da nossa cultura institucionalizou-se com a raça mãe. Mas de tão forte internamente a ponto de superar calado os tantos desaforos que a vida comum traz ao preto, tardamos a ser fortes externamente para mostrar ao mundo a nossa volta o porquê dessa força ser como é, e o porquê da necessidade de continuar sendo.

E então chegamos na bola. Que de redonda é democrática, não há lado melhor nem pior. Rola igual para todos, mas não é tratada igualmente por todos. 

E sabendo o quanto o brasileiro ama esse tal de futebol, com essa mesma bola democrática e cheia de figuras idolatradas, em que momento erramos como sociedade a ponto de demonstrar ódio e querer limitar o atleta a ser só atleta dentro de quatro linhas, quando o mesmo pode ter sua voz ouvida levantando bandeiras de luta social e cunho comunitário?

Ao que me parece, tem sido mais fácil e cômodo aos intolerantes fingir que os problemas ocorridos em praças esportivas das mais variadas modalidades não possam ser tomados também por quem está dentro de campo (ou quadras, areia, ringues). Afinal eles já ganham bem demais e devem apenas se "limitar a jogar bola".

Pois bem, justamente quando embarcamos na era das mídias sociais e os atletas tem um espaço para serem vistos e ouvidos de forma a espelhar toda uma geração presente e futura, temos resistência contrária vinda justamente de quem mais deveria apoiar. 

A luta por equidade é contínua, e ser atleta é mais do que suar e tentar quebrar recordes em atividade. Mas também quebrar barreiras como a que o racismo velado e institucionalizado propõe. Que possamos usar mais as redes para ampliar o espaço de fala de quem joga bola e luta pela cor e raça que se orgulha ter. 

Afinal de conta, como diria o poeta, os idiotas podem dominar o mundo. Não pela capacidade, mas pela quantidade.


Alê Alves, 25 anos, baiano da roça e estudante de jornalismo, repórter de campo da  Rádio Sociedade News FM, reforçando a equipe "Os Diplomatas do Rádio". Redator do site Diplomatas News, apresentador do programa de pré-jogo aos domingos "Esperando a Bola na Rede". Estudioso da bola, aficionado por futebol americano, Fórmula 1, basquete e outros mais. Amante do futebol alternativo,  e de rock, cinema e música pré anos 90.

segunda-feira, 11 de novembro de 2024

O fim do sonho?

Coluna Alê Alves

A quem se deu o árduo trabalho de acompanhar o jogo entre  Juventude e Bahia neste sábado, ofereço minhas condolências: Faleceu o sonho Tricolor de retornar à maior competição continental que nos é alcançável. Ou ao menos, é o que está encaminhado. O sonho do torcedor tricolor respira por aparelhos. 

O Bahia não é mais um time sanguíneo, reflete desânimo, não aparenta ter entrega tática e prática. Sendo tão simplista, os jogadores parecem desmotivados e sem garra. Para completar, o regente é um técnico que deixa translúcido seu apreço pela teimosia. Rogério Ceni pode ser treinador, mas não é um gestor de grupo. 

Hoje, o que se observa no Bahia são jogadores que têm a posse de bola, mas não sabem o que fazer com ela. A impressão que se tem é que Ceni não é capaz de fazer esse time sair do "mais do mesmo", e qualquer um desfalque já faz com que a equipe não renda com os outros dez que entitulam. Não há jogada ensaiada, não há estrutura técnica definida, não há passes longos ou colocados, o que se vê são jogadores jogando a bola de um lado  para o outro, atrasando para o goleiro a toda hora, com pouca criatividade na formação de jogadas e capacidade zero de finalização. 

Ceni não consegue ter audácia para mudar o esquema tático, o estilo de variação ofensiva, nem mesmo o ânimo do grupo. A velocidade do jogo parece ser sempre a mesma, em segunda marcha e subindo a Ladeira da Montanha.

O City Group tem um norte, um planejamento que funciona a médio/longo prazo. Mas e o torcedor? E os que aguardam desde 1989 para ver o Bahia novamente na Libertadores? Ao que parece, há de se ter um pouco mais de paciência.

O Bahia tornou-se um time previsível, lento e engessado. E agora que sabe-se que a diretoria manterá Rogério no cargo visando o trabalho a longo prazo, não adianta mais reclamar ou pedir saída. 

Restam cinco partidas e o torcedor terá de ser paciente.  Talvez (e sabendo da fé que tem o torcedor baiano) o que resta é tão somente rezar.


Alê Alves, 25 anos, baiano da roça e estudante de jornalismo, repórter de campo da  Rádio Sociedade News FM, reforçando a equipe "Os Diplomatas do Rádio". Redator do site Diplomatas News, apresentador do programa de pré-jogo aos domingos "Esperando a Bola na Rede". Estudioso da bola, aficionado por futebol americano, Fórmula 1, basquete e outros mais. Amante do futebol alternativo,  e de rock, cinema e música pré anos 90.

quinta-feira, 26 de setembro de 2024

Exclusivo: Na etimologia redundante do futebol, a Glória eterna já vê o "Glorioso"!

Coluna Alê Alves

51 anos. Cinco décadas. Meio século. Quão paciente e resistente um torcedor precisa ser?

O Botafogo de Futebol e Regatas mostrou um gigantismo quase sobrenatural na dramática noite desta quarta-feira (25) ao derrotar o São Paulo nos pênaltis e voltar às semifinais da grandiosa competição continental. Os 180 minutos deste duelo desfrutam uma ode à resiliência e recuperação da força mental.

Quando se contrata um homem como Arthur Jorge como treinador, é necessário entender o pacote de virtudes, trunfos e ônus que ele carrega consigo e tende a agregar juntamente ao plantel. Pois bem, o Botafogo entendeu, e  hoje joga o melhor futebol do país sem pestanejar. Todavia, o que mais me chama a atenção, é compreender como o futebol traz em seu âmago as nuances da dor de uma forma cruel. E com o Botafogo, parece ser multiplicada esta sensação.

Verdade seja dita, nenhuma das grandes torcidas nacionais tem tanto o direito de conter o nível de confiança e segurança de que as coisas possam dar certo, quanto a do alvinegro de General Severiano. Aguardar mais de meio século para sorrir com uma vaga tão oportuna parece pouco, mas diante de três rebaixamentos no século, a maior derrocada em campeonatos de pontos corridos da história do jogo e uma série de décadas de gestões instáveis, trazem um sabor diferente. O fantasma exorcizado com o Palmeiras nas oitavas de final não foi suficiente; era preciso calar o maior estádio da maior cidade do país para se colocar entre os quatro clubes que podem conquistar a América. 

Quando, no início deste texto, falamos de Arthur Jorge, é por reforçar a importância de uma liderança segura e de personalidade à beira do campo. Atualmente, o Clube de Artur Jorge não parece dar a menor pinta de que não irá suportar a pressão. Na verdade, o Botafogo hoje é o sinônimo maior de resiliência. Não há mais derretimento, não há mais "pipocadas", não há mais a desesperança. 

A camisa listrada, outrora de Didi, Nilton Santos, Zagallo, Garrincha, Torres e tantos outros, pesou tanto que transformou o gramado em chumbo. E os futebolistas são-paulinos foram anulados no Morumbis. O Botafogo foi inteligente em sua marcação sob zona e interrompeu praticamente todas as linhas de passe possível para o adversário em seu campo. Todos os méritos devem ser dados à forma tranquila e corajosa com a qual a equipe carioca manteve o jogo condicionado a seu prazer até o técnico Luís Zubeldía tentar mudar as ações são-paulinas e dar mais mobilidade ao setor ofensivo. Ainda assim, o Botafogo soube ler. Arthur Jorge soube ler.

 E mesmo na disputa de penalidades, era visível a assertividade do goleiro John. Ele pegou o último penal da equipe da casa e fez qualquer torcedor alvinegro (dentre os que não morreram no coração ontem) ter a certeza de que realmente o Botafogo se propõe a atuar em outros papéis de protagonismo, com cada vez mais gigantismo, mais força mental, mais poder de "futebol de libertadores". E é difícil dizer se os comandados de Arthur Jorge realmente vencerão algo já este ano.

Mas cá entre nós, o torcedor que viu a equipe com 33 reais no caixa do time, rebaixada e com as atividades profissionais quase falidas... Ah, este sim pode comemorar à vera! 

Se a Libertadores é a glória eterna, ela tem cheiro de Glorioso!


Alê Alves, 25 anos, baiano da roça e estudante de jornalismo, repórter de campo da  Rádio Sociedade News FM, reforçando a equipe "Os Diplomatas do Rádio". Redator do site Diplomatas News, apresentador do programa de pré-jogo aos domingos "Esperando a Bola na Rede". Estudioso da bola, aficionado por futebol americano, Fórmula 1, basquete e outros mais. Amante do futebol alternativo,  e de rock, cinema e música pré anos 90.

terça-feira, 17 de setembro de 2024

Exclusivo: Mais certeiro e veloz ao definir seus lances de perigo

Coluna Alê Alves

Por vezes, o Esporte Clube Bahia aparenta ter afinco em brincar sadicamente com o coração de seu torcedor. Parece até uma brincadeira de tom sarcástico, no qual o felino tem a presa e finge que a soltará, para tomá-la de volta em suas garras e tê-lo novamente por definitivo.  

Sem vencer a quatro jogos no Campeonato Brasileiro, esse gato afastou sua presa e a fez se sentir desgostosa, desesperançosa, para então bater o Clube Atlético Mineiro com tamanha soberania, que agarrou novamente e lembrou quem manda, quem é o "titeriteiro".

Ora, não me leve a mal, mas o futebol nos faz de bonecos de ventríloquo, e o títere está em campo (ou às vezes na beira dele)  controlando nossas respostas e emoções, apenas pelo prazer de brincar.

Fato é que, com toda inoperância e marasmo que o Bahia demonstrou na última quarta-feira (11) contra o Flamengo, não era de se esperar que Rogério Ceni mantivesse as mesmas onze peças iniciais contra o Galo, seja por otimismo tolo, seja pelo intuito de proteger seus comandados e mostrar que há confiança de sua comissão para com os jogadores titulares que ali estão, e que começaram a partida de (domingo, 15) .

Um losango na meia-cancha nunca foi, admito, meu modo favorito de trabalhar o jogo ofensivo. Todavia, não sou o técnico (como muito provavelmente não serei) e reconheço que diante de peças de pouca explosão física, mas de qualidade de passe e visão de campo aprumada, é o que se pode fazer para municiar melhor o setor ofensivo. E não dá para dizer que este não funcionou na partida, pois, fora a pressão de atuações murchas anteriores, o time esteve atento em pressionar o adversário e construir já a partir do campo de ataque.

Contudo, ignorando as vaias do torcedor tricolor ao fim da etapa inicial e sabendo da ausência de Biel como substituto imediato no flanco canhoto do ataque, Ceni optou por manter a equipe igual para a etapa final, e só para provocar o coração da presa, o felino que a fez sofrer por 45 minutos, resolveu agarrá-la de volta na parte final: Em 12 minutos, dois tentos haviam amansado o peito do torcedor na Fonte Nova, e é difícil dizer agora que o técnico não precisa ser "burro e teimoso" de vez em quando. Mas talvez, seja a hora de dar mais minutos a Rodriguez, que selou o triunfo, e entender que o Bahia continua sendo o time que é soberano em posse de bola e volume no meio-campo, mas que deve ser (assim como um felino) mais certeiro e veloz ao definir seus lances de perigo. No domingo deu certo, mas não foi perfeito. Se depois de tantas décadas o Bahia pode retornar à maior competição continental, não pode ser o excesso de preciosismo ofensivo a causa do impedimento deste sonho. Que seja então como um leopardo: Atento, rápido e certeiro. Se for cercar, que seja discreto. Se for agir, que seja letal. E que essa letalidade se transforme em G-4 novamente; de preferência, sem tanto sofrimento.


Alê Alves, 25 anos, baiano da roça e estudante de jornalismo, repórter de campo da  Rádio Sociedade News FM, reforçando a equipe "Os Diplomatas do Rádio". Redator do site Diplomatas News, apresentador do programa de pré-jogo aos domingos "Esperando a Bola na Rede". Estudioso da bola, aficionado por futebol americano, Fórmula 1, basquete e outros mais. Amante do futebol alternativo,  e de rock, cinema e música pré anos 90.

"Minha neta, de apenas nove anos, enxergou o caos que é a Seleção Brasileira", afirma Cronista Esportivo

Coluna Zadir Marques Porto   Na final, sem a esperada e desejada presença da representação verde-amarela que, mais uma vez, foi um terrível ...